Existe algo curioso na história da educação: algumas ideias que hoje parecem óbvias, como a convivência entre meninos e meninas, foram, um dia, profundamente ousadas. Em fevereiro de 1967, o NR tomou uma decisão que ilustra bem isso.
Quando meninos e meninas passaram a aprender juntos no NR
Naquela época, era comum que acampamentos e programas educacionais separassem meninos e meninas. A lógica parecia simples: atividades diferentes, rotinas diferentes, mundos diferentes. Mas o Professor Affonso, o Safo, via a educação de outra forma.
Enquanto muitos dividiam por costume, ele decidiu unir por convicção.
Foi assim que nasceu, naquele ano, uma temporada mista no NR. Pela primeira vez, meninos e meninas participariam juntos das atividades, convivendo, aprendendo e descobrindo o mundo lado a lado. Para os padrões da época, a decisão era incomum. Para o Safo, era apenas coerente com aquilo que sempre acreditou: aprender também é conviver.
Décadas antes de termos termos populares como educação socioemocional, aprendizagem experiencial ou soft skills, ele já defendia que o desenvolvimento das crianças acontece, em grande parte, nas experiências que vivem juntas.
O que a convivência ensina
Hoje sabemos que a convivência entre meninos e meninas desde cedo traz benefícios importantes para o desenvolvimento social e emocional. O que o Safo percebia intuitivamente naquela época seria confirmado anos depois por pesquisas na área da educação.
Estudos mostram que ambientes educacionais mistos tendem a favorecer relações mais equilibradas entre crianças, melhorar o clima de convivência e estimular habilidades sociais importantes para a vida adulta. Uma pesquisa divulgada pela Tel Aviv University indica, por exemplo, que turmas com maior diversidade de gênero apresentam menos comportamentos disruptivos e um ambiente de aprendizagem mais colaborativo.
Outras pesquisas também apontam que crianças em ambientes educacionais mistos tendem a desenvolver redes de amizade mais amplas e diversas, ampliando sua capacidade de convivência e colaboração ao longo da vida.
Pesquisadores da área de educação ainda destacam que a interação entre meninos e meninas ajuda a desenvolver habilidades sociais importantes e contribui para reduzir estereótipos de gênero que podem surgir quando os grupos permanecem separados.
Em outras palavras: quando crianças convivem, aprendem a respeitar diferenças, negociar ideias, colaborar e se comunicar melhor.
Tudo aquilo que hoje chamamos de competências socioemocionais.

Hoje, a convivência entre jovens segue como parte essencial da experiência no NR, promovendo desenvolvimento socioemocional e aprendizado fora da sala de aula.
Uma visão à frente do seu tempo
Quando o NR realizou sua primeira temporada mista em 1967, essas discussões ainda estavam longe de ganhar espaço nas pesquisas educacionais. Mesmo assim, o Safo acreditava que as crianças e os jovens cresceriam mais preparados para a vida se pudessem compartilhar experiências desde cedo.
O tempo mostrou que ele estava certo.
Pouco depois, a convivência entre meninos e meninas se tornaria cada vez mais comum em acampamentos e programas educacionais. O que antes parecia ousado acabou se tornando natural.
Esse episódio é apenas um pequeno exemplo da forma como o Safo pensava a educação: sempre olhando para as pessoas, para as experiências e para aquilo que realmente transforma o desenvolvimento dos jovens.
Educação que acontece na experiência
No NR, aprender nunca foi apenas acumular conhecimento. Sempre foi viver experiências que ampliam o olhar, fortalecem vínculos e desenvolvem autonomia.
É por isso que a convivência entre jovens de diferentes escolas, cidades e histórias sempre foi parte essencial da experiência. Cada conversa, cada atividade compartilhada e cada nova amizade fazem parte de um processo educativo que acontece fora da sala de aula, e que muitas vezes deixa marcas para a vida inteira.
Esse mesmo princípio orienta diversas experiências que fazem parte da história do NR, como o
Friendship Festival, evento que reúne jovens de diferentes países em um ambiente de convivência intercultural, ou os programas educacionais vivenciais desenvolvidos ao longo das décadas.
Quando uma ideia simples muda tudo
A decisão de aumentar a convivência entre meninos e meninas em uma temporada mista no NR pode parecer um detalhe na história da instituição. Mas ela revela algo muito maior: a capacidade do Safo de enxergar a educação para além das convenções do seu tempo.
Ele entendia que aprender é, antes de tudo, um processo humano. E processos humanos acontecem no encontro entre pessoas.
Hoje, quase seis décadas depois daquela primeira temporada mista, a educação continua evoluindo, novas metodologias surgem e novas pesquisas ampliam o entendimento sobre o desenvolvimento dos jovens.
Mas algumas ideias permanecem simples e verdadeiras.
Entre elas, a de que crescer juntos ensina muito mais do que crescer separados.
E, naquele fevereiro de 1967, o Safo já sabia disso.





